Publicado por: clinicamedicaepm | 23 f, 2009

Os medicos chegaram ao fundo do poço.

Os medicos chegaram ao fundo do poço.


medico-gente
O “Diário de Natal” publicou uma carta patética sobre o aviltamento
da profissão médica, caracterizado pela desvalorização do “Coeficiente de
Honorários” em 308% nos últimos nove anos, o que representa um
decréscimo no valor recebido pelos profissionais, se calculado em dólar, em 351%.
O documento, mais que uma reclamação, uma seríssima denúncia do ponto a que
chegaram os médicos, grande parte dos quais à beira da insolvência
financeira, leva assinatura do Dr. Paulo Ezequiel, funcionário das
Secretaria de Saúde Municipal e Estadual, no Rio Grande do Norte, e que
recebeu a imediata solidariedade de outros nove médicos da rede Estadual,
que também é a carta aberta.
A repercussão foi tão grande, que por conta própria médicos do Brasil
inteiro passaram a retransmitir a carta para colegas e amigos, via e-mail.
A seguir a íntegra do documento:
” Médicos, companheiros de profissão, como descemos….
Quando meu pai, médico, aposentou-se há nove anos, disse que estava fazendo
aquilo porque a profissão médica havia chegado ao fundo do poço e não
agüentava ver a classe descer mais do que aquilo.
Nesses nove anos os salários e até o CH (coeficiente de honorários), criado
para proteger o trabalho médico, desvalorizou 308,68% se comparado ao
salário mínimo ( e nós pagamos salários baseados no mínimo aos
funcionários); desvalorizou 73,47% pelo IBG que mede o índice de preços ao
consumidor/inflação), índice este que sabemos ser maquiado pelo Governo
Federal.
Se “dolarizarmos” nossas perdas, elas chegam a 351,81%.   Como
descemos…
Inicialmente fizemos cortes no orçamento, depois aumentamos a carga de
trabalho, passando a dar mais plantões.
Cortamos férias, nos tornamos  ”clientes especiais” dos bancos,
inicialmente eventuais, hoje c ativos.
Não temos tempo sequer para nos organizar. Como descemos!
Não podemos lutar sequer na Justiça, pois o Judiciário jamais votaria a
nosso favor, mesmo que estejamos certos.
Os juízes já votaram seu próprio aumento salarial e, se votassem o nosso,
poderia não sobrar para eles.
Em 1994 um médico recebia R$ 755,00 e um promotor público R$ 1.300,00. Hoje,
o médico recebe os mesmos R$ 755,00 e o promotor mais de R$ 8.000,00.
Que diferença de responsabilidade ou de um curso faz com que ocorra tal
disparidade? Sem falar de vereadores, auditor fiscal e outros cargos que,
devido ao seu poder de autogestão dos salários foram evoluindo
exponencialmente, enquanto nós retrocedemos.
Como descemos! E a culpa, de quem é? De nós mesmos! Nós, que deixamos a
coisa ocorrer sem reagir.
Talvez devido à celebre frase: “Medicina é sacerdócio!”. Mas
até os padres, hoje em sua maioria vivem bem, comem bem, dormem bem, têm carro,
vestem-se bem, viajam.
A culpa é nossa por termos aceitado dar plantões em condições mínimas! Sem
água?
Compramos água.Comida ruim? Compramos comida.
Não há material? Improvisa Tudo em prol da continuidade do serviço e do
paciente.
A culpa é nossa por termos criado uma cooperativa médica que pode proteger a
todos, menos ao médico.
Veja uma diária hospitalar hoje e há oito anos. Quem protege quem? Os planos
de saúde aprenderam que não temos tempo para reclamar e pagam o que querem,
quando querem e se quiserem. Como descemos!
Chegamos no nosso carrinho, cara de cansados, exaustos, na verdade,
maltrapilhos e somos atendidos pelo gerente do plano de saúde: bem dormido,
gravata, perfumado e de carrão zero às nossas custas. Burros de cangalha é o
que somos!
O Governo também aprendeu que não temos força para cobrar o que é de
direito: retira gratificações, suspende pagamentos. É como se fôssemos isentos de
obrigações financeiras. .  Coitados de nós! Como descemos!!!!
Temos medo de pedir um orçamento a um pintor ou pedreiro. Estamos apertados
para pagar o colégio dos nossos filhos.
Achamos que se continuarmos assim, vamos acabar pagando para trabalhar.
Estamos enganados! Já estamos pagando, pois as noites em claro nos renderam
doenças e problemas de saúde que nossa aposentadoria do Estado de R$ 400,00
somados ao INSS de R$ 800, 00, mais talvez uma previdência privada, não
conseguem cobrir.
Pagamos, porque a nossa ausência em casa na busca de manter um “padrão
de vida”,não tem preço. Nossos filhos estão à mercê de drogas e maus
exemplos, devido ao abandono.
E como dizer aos nossos filhos para estudarem, pois vale a pena ? Eles vêem
o exemplo do pai que estudou tanto, fez tantos cursos, passou tantos
concursos e tem uma qualidade de vida tão ruim. E aí vem o “Big
Brother”, as no velas e pessoas que vivem melhor, até de forma ilícita. É difícil
fazê-los compreender que os que nos mantêm em nossa profissão, o que nos alimenta a
alma e o espírito são duas coisas: o amor pela prática médica e a
incapacidade que temos de reverter todo o investimento que fizemos à mesma.
Se o medo é de pagarmos para trabalhar, pode ficar ciente de que já estamos
fazendo isso! Acho que deveríamos ser mais radicais e não aceitarmos
imposições, pois sabemos que estamos totalmente certos !
Temos que ganhar melhor para atendermos melhor a nossos pacientes.
Temos que dormir bem, para atendermos melhor a nossos pacientes.
Temos que estudar e nos atualizar, para atendermos melhor a nossos
pacientes. Queira ou não, tudo isso depende de remuneração !”
ESTÁ NA HORA DE TODOS OS MÉDICOS DO BRASIL SE UNIREM POR MELHORES CONDIÇÕES DE TRABALHO E REMUNERAÇÃO DIGNA , ATUALIZADA !!!!!!
CHEGA DE SERMOS ESCRAVOS, HUMILHADOS !!
SEM UNIÃO, NADA CONSEGUIREMOS !!
UM JUIZ SALVA A VIDA DE ALGUÉM ? ENTÃO PORQUE ESTA DISPARIDADE DE SALÁRIOS
EM RELAÇÃO AO NOSSO ?? LEMBREM-SE QUE SOMOS NÓS QUEM TEMOS A CAPACIDADE DE SALVAR VIDAS, E VIDAS NÃO TEM PREÇO !!

POR FAVOR, REPASSEM PARA TODOS OS SEUS AMIGOS E COLEGAS MÉDICOS.
VAMOS INICIAR NOSSO MOVIMENTO DE ATUALIZAÇÃO DE SALÁRIOS PARA QUE TENHAMOS
UMA REMUNERAÇÃO DIGNA !!

Publicado por: clinicamedicaepm | 23 f, 2009

Download – Cateterismo venoso central

Download – Cateterismo venoso central

Cateterismo venoso central
Central Venous Catheterization
Download

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A colocação de uma cateter venoso central é uma técnica essencial no tratamento de muitos pacientes hospitalizados. Este vídeo demonstra a colocação de um cateter venoso central na veia de jugular interno e considera as complicações e elucida como evitá-las.
The placement of a central venous line is an essential technique in the treatment of many hospitalized patients. This video demonstrates the placement of a central venous catheter in the internal jugular vein and considers complications and how to avoid them.

Fonte: http://procedimentosmedicos.blogspot.com/

Is Candida colonization of central vascular catheters in non-candidemic, non-neutropenic patients an indication for antifungals?

Pérez-Parra A et al, Intensive Care Med 2009; 35:707-712

Sempre existe aquela dúvida: isolamento de Candida sp na ponta de cateter significa que temos de iniciar tratamento antifúngico ?


Neste estudo retrospectivo, os autores estudaram 58 pacientes que tiveram isolamento de Candida sp em ponta de cateter, sem candidemia nos 7 dias antes ou depois da retirada do cateter venoso profundo. Eles separaram os pacientes de acordo com o desfecho/mortalidade. Pacientes que melhoraram (33) e que morreram (25) eram diferentes em relação à idade, índice de comorbidades, doença potencialmente fatal (critérios de McCabe) e APACHE II. Houve maior desenvolvimento de sepse posterior à retirada do cateter nos pacientes com pior desfecho.


Em relação aos achados microbiológicos, os cateteres venosos ficaram em torno de 9 dias no sítio antes de serem retirados, e Candida albicans (67%) foi mais comum. No follow-up mais prolongado (1 ano), apenas 1 paciente desenvolveu candidemia. A administração de antifúngicos ocorreu em 36% daqueles que melhoraram e 32% nos que morreram (p valor não-significativo).

Em análise multivariada, o uso de antifúngicos não influenciou o prognóstico (odds 0,82, IC 95% 0,27-2,47).

Concluindo, não parece haver necessidade de iniciar antifúngicos nos pacientes com isolamento de Candida sp no cateter e sem candidemia.

Fonte: André Japiassúhttp://artigoscomentados.blogspot.com/

Publicado por: clinicamedicaepm | 15 f, 2009

Museu de crânios da Unifesp

Museu de crânios da Unifesp


O G1 publicou no sábado passado (24/01) essa matéria sobre o Museu de Crânios da Unifesp, ao qual infelizmente poucos têm acesso.

A sala é pequena e dispõe apenas de três estantes, que vão do chão até quase o teto, e uma mesa com algumas cadeiras. Em cada prateleira, crânios de homens, mulheres e crianças, reunidos para formar o Museu de Crânios da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), criado na década 1930. A sala é trancada a chave e poucos têm acesso livre ao museu. Um deles é o professor-titular Ricardo Smith, chefe da disciplina de anatomia da universidade.

Quem esperava que um museu só de crânios seria escuro, empoeirado e com ares de abandonado se engana. O museu, conta o professor, é um dos maiores e mais organizados do mundo e atrai pesquisadores de vários países.

Cada um dos 440 crânios do lugar é numerado, e cada número corresponde a uma página de um antigo caderno, que está amarelado e é manuseado com cuidado pelo professor. “Eu cuido um pouco, e sou responsável pelo museu”, diz.

Procurando por um número aleatório, de qualquer andar da estante, dá para saber o nome, sexo, com quantos anos a pessoa morreu, o motivo da morte e até se ela era casada ou não. Alguns crânios são de pessoas que não foram identificadas, mas para o professor, isso não faz diferença.

Leia mais e veja também as fotos aqui.

Fonte: http://historiasdamedicina.blogspot.com/

Publicado por: clinicamedicaepm | 3 f, 2009

Depoimento de um médico oncologista do Recife.


saudade


No início da minha vida profissional, senti-me atraído em tratar de crianças,me entusiasmei com a oncologia infantil. Tinha, e tenho ainda hoje, um carinho muito grande por crianças. Elas nos enternecem e nos surpreendem com suas maneiras simples e diretas de ver o mundo, sem meias verdades.

Nós médicos somos treinados para nos sentirmos “deuses”. Só que não o somos! Não acho o sentimento de onipotência de todo ruim, se bem dosado. É este sentimento que nos impulsiona, que nos ajuda a vencer desafios, a se rebelar contra a morte e a tentar ir sempre mais além. Se mal dosado, porém, este sentimento será de arrogância e prepotência, o que não é bom. Quando perdemos um paciente, voltamos à planície, experimentamos o fracasso e os limites que a ciência nos impõe e entendemos que não somos deuses. Somos forçados a reconhecer nossos limites!

Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional. Nesse hospital, comecei a freqüentar a enfermaria infantil, e a me apaixonar pela oncopediatria. Mas também comecei a vivenciar os dramas dos meus pacientes, particularmente os das crianças, que via como vítimas inocentes desta terrível doença que é o câncer.

Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento destas crianças. Até o dia em que um anjo passou por mim.

Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada porém por 2 longos anos de tratamentos os mais diversos, hospitais, exames, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimioterapias e radioterapia. Mas nunca vi meu anjo fraquejar. Já a vi chorar sim, muitas vezes, mas não via fraqueza em seu choro. Via medo em seus olhinhos algumas vezes, e isto é humano! Mas via confiança e determinação. Ela entregava o bracinho à enfermeira e com uma lágrima nos olhos dizia: faça tia, é preciso para eu ficar boa. Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto.

Perguntei pela mãe. E comecei a ouvir uma resposta que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.

Meu anjo respondeu: – Tio, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!

Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei:

- E o que a morte representa para você, minha querida?

- Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria cama não é? (Lembrei que minhas filhas, na época com 6 e 2 anos, costumavam dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exatamente assim.)

- É isso mesmo, e então? – Vou explicar o que acontece, continuou ela: Quando nós dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa cama, não é?

- É isso mesmo querida, você é muito esperta!

- Olha tio, eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei “entupigaitado”. Boquiaberto, não sabia o que dizer. Chocado com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei parado, sem ação.

- E minha mãe vai ficar com muita saudade minha, emendou ela.

Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei ao meu anjo:

- E o que saudade significa para você, minha querida?

- Não sabe não, tio?   Saudade é o amor que fica!

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e mais simples para a palavra saudade: é o amor que fica! Um anjo passou por mim… Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o céu e a terra, do que nos permitimos enxergar. Que geralmente, absolutilizamos tudo que é relativo (carros novos, casas, roupas de grife, jóias) enquanto relativizamos a única coisa absoluta que temos, nossa transcendência. Meu anjinho já se foi, há longos anos.

Mas me deixou uma grande lição, vindo de alguém que jamais pensei, por ser criança e portadora de grave doença, e a quem nunca mais esqueci. Deixou uma lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores.

Hoje, quando a noite chega e o céu está limpo, vejo uma linda estrela a quem chamo “meu anjo, que brilha e resplandece no céu”. Imagino ser ela, fulgurante em sua nova e eterna casa. Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que ensinaste, pela ajuda que me deste. Que bom que existe saudades! O amor que ficou é eterno.

Rogério Brandão

Médico oncologista clinico

RC Recife Boa Vista D4500

Cremepe 5758″

Publicado por: clinicamedicaepm | 17 f, 2009

versão brasileira (e melhorada)

versão brasileira (e melhorada)

Fábio Kamamoto, médico do Hospital da Universidade de São Paulo desenvolveu a partir de materiais muito simples um curativo a vácuo capaz de mudar a vida de inúmeros pacientes. Nos casos de feridas de difícil cicatrização provocadas por acidentes, queimaduras ou mesmo diabetes, o curativo consiste em cobri-las por esponjas e envolver com plástico adesivo. Um tubo ligado à rede de vácuo faz uma sucção constante que impede a ocorrência de infecções, promove a multiplicação de vasos e auxilia na regeneração do tecido. O curativo desenvolvido aqui apresenta os mesmos resultados que o similar importado, porém com uma incrível vantagem: enquanto o de fora custa de 3 a 4 mil dólares, o brasileiro não passa de 30 reais. ‘A ideia é divulgar conhecimento e difundir um tratamento que vai ser mais eficiente com custo acessível para pessoas do país inteiro’, afirma Kamamoto. O Hospital Universitário da USP se dispõe a dar o treinamento necessário aos interessados. Para entrar em contato, ligue (11) 3091-9200. Abaixo, você assiste à reportagem do Jornal Nacional.

Fonte:: http://www.blogonlinedoctor.com.br/

Saúde e doença não são fenômenos isolados que possam ser definidos em si mesmos, pois estão profundamente vinculados ao contexto sócio-econômico-cultural, tanto em suas produções como na percepção do saber que investiga e propõe soluções. Com isso, o profissional da saúde não vive apenas de informações científicas, ele precisa conhecer e compreender além do processo saúde e doenca para identificar patologias cada vez mais presentes em seu dia-a-dia. Uma dessas patologias é a Síndrome de Burnout.
A Síndrome de Burnout está relacionada com o trabalho realizado pelo homem. Em uma retrospectiva comtemporânea, a palavra trabalho vem do latim “tripalium”, referindo-se a um instrumento de tortura para punições dos indivíduos submetidos ao trabalho forçado. Se buscarmos além dos conceitos históricos, os conceitos religiosos mostram que o homem foi condenado ao trabalho porque Eva e Adão constituíram o pecado. O Gênesis, cita que o trabalho é considerado o castigo no qual o homem terá que trabalhar, e com o suor, conseguir o seu alimento para a sobrevivência. Em qualquer que seja o contexto, o trabalho significa necessidade e razão de vida. À medida que o indivíduo está inserido no contexto organizacional, está sujeito a diferentes variáveis que afetam diretamente o seu trabalho.
De acordo com uma pesquisa realizada pela Isma-BR (International Stress Management Association do Brasil), três em cada dez trabalhadores apresentam um quadro crônico de estresse, que caracteriza a Síndrome de Burnout. Atualmente, existe uma preocupação na saúde do indivíduo, ou seja, para que se atinja a produtividade e qualidade, é preciso ter indivíduos saudáveis e atribuídos de qualidade. Codo, Sampaio e Hitomi, afirmam que a organização do trabalho exerce, sobre o homem, uma ação específica, cujo impacto é o aparelho psíquico. Em contrapartida, a organização atua de forma onde muitas vezes pressiona-se o indivíduo, levando-o a estados de doenças, de insatisfação e desmotivação.
Será que vemos alguma semelhança nas descrições acima com as nossas rotinas e a realidade vivenciadas na Terapia intensiva? A sobrecarga de trabalho, o estresse em cuidar do paciente grave, as dificuldades em lidar com os limites entre a vida e a morte, levam-nos a inúmeros sinais e sintomas de que algo está errado, entre esses, a Síndrome de Burnout. O conceito de Burnout surgiu nos Estados Unidos em meados da década de 70, que no sentido literal significa “estar esgotado” ou “queimado”, mais característico em profissões de ajuda, serviços humanos ou como Vidal (1993) afirma: “aquellas profisiones que consisten principalmente en ofrecer servicios humanos directos y de gran relevancia para el usuario”. Cabe salientar que o Burnout é formado por diversos estados sucessivos que ocorrem em um tempo e representam uma forma de adaptação às fontes de estresse. Assim, o conceito surgiu para dar explicação ao processo de deterioração nos cuidados e atenção profissional nos trabalhadores de organizações. A Síndrome tem se estabelecido como uma resposta ao estresse laboral crônico integrado, por atitudes e sentimentos negativos. Não existe uma definição unânime sobre Burnout, existe um consenso em considerar que aparece no indivíduo como uma resposta ao estresse laboral. Trata-se de uma experiência subjetiva interna que agrupa sentimentos e atitudes e que tem um semblante negativo para o indivíduo, dado que implica alterações, problemas e disfunções psicofisiológicas com conseqüências nocivas para a pessoa e para a organização. Como podemos perceber, Burnout tem-se definido como uma síndrome cujos sintomas são sentimentos de esgotamento emocional, despersonalização e baixa realização pessoal no trabalho. Assim, é considerada um passo intermediário na relação estresse-conseqüências do estresse de forma que, se permanece durante um longo tempo, sob a forma de enfermidade, falta de saúde com alterações psicossomáticas (alterações cardiorespiratórias, gastrite e úlcera, dificuldade para dormir, náuseas) e para organização (deterioração do rendimento ou da qualidade de trabalho). Logo, é uma das conseqüências mais marcantes do estresse profissional, caracterizando-se pela exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos (até como defesa emocional). Alguns pesquisadores dão dicas para identificar o Bournout:
- Só de pensar em trabalhar,você já começa a passar mal;
- Seja por falta ou excesso de competência, você se sente violentado ao realizar as atividades que lhe passam;
- Exausto o tempo todo, você está sempre a ponto de explodir ou de chorar;
- Conviver com certas pessoas do trabalho lhe incomoda demais;
A Terapia Intensiva demanda além do contato com a vida ações diuturnas, rápidas e precisas, exigindo o máximo de eficiência de toda a equipe. Segundo Martino (2004) estudos comprovaram, que para os enfermeiros de Unidades de Terapia Intensiva, o local é muito tenso, e que isso poderia interferir no seu estado emocional, levando ao desgaste geral do organismo e, conseqüentemente, provocando estresse. Com isso, algumas pesquisas relacionando a Síndrome de Bournout com o estresse vivênciado na terapia intensiva vem despertando interesse em diversos pesquisadores. Em um estudo transversal realizado na Austrália, em UTIs neonatal, participaram 192 enfermeiros e 34 médicos, sendo demonstrado que 27% dos médicos e 32% dos enfermeiros apresentavam sintomas psicológicos semelhantes ao Bournout. Sendo que os enfermeiros apresentavam sintomas psicológicos devido ao excesso de pacientes e falta de espaço físico nas unidades. Em outro estudo Americano, Heuer et al., mostrou que 59 enfermeiros de UTI viviam em um ambiente de trabalho caótico, com número elevado de emergências e inadequação profissional. Com isso, os profissionais que trabalham em unidade de terapia intensiva, seja pela especificidade do seu trabalho ou pelo ambiente, estão expostos ao risco do estresse ocupacional e, conseqüentemente ao Burnout. A cisão entre afeto e trabalho, que nasce a partir das dimensões demarcadas pelo capital, leva-nos a considerar a Síndrome de Burnout, como uma descrição bastante familiar e presente em nosso cotidiano. A existência dessa nova enfermidade para os trabalhadores intensivistas certamente nos leva a alcançar novos horizontes e perspectivas para as possibilidades de entendimento e transformação no processo de trabalho, numa tentativa de resgatar as dimensões afetivas contidas no cotidiano de quem cuida.
Enfª Renata Andréa Pietro P. Viana
Presidente do Departamento de Enfermagem AMIB
Chefe do Serviço de Terapia Intensiva HSPE
Publicado por: clinicamedicaepm | 8 f, 2009

Procedimentos Médicos- Sawn Ganz

Cateter de Sawn Ganz

Aqui vai vídeos relacionados  inseção de Cateter de Sawn Ganz para monitorização hemodinâmica do paciente crítico, principalmente para os novos R2, cujo procedimento será o objetivo desse ano. Lembro que além da técnica, devem estudar com profundidade este assunto, já que é frequente em provas e também ajudará na interpretação dessa contraditória ferramenta em UTI. Espero que ajude!!

Publicado por: clinicamedicaepm | 2 f, 2009

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